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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Primavera na Chapada Diamantina abre roteiro de observação da flora


Entre cachoeiras, morros e cavernas, a vegetação também merece espaço no roteiro pela Chapada Diamantina, na Bahia. A região abriga áreas de ecótono, nome dado às zonas de transição e contato entre dois ou mais biomas. Características do Cerrado, da Mata Atlântica e da Caatinga se encontram e ajudam a compor um mosaico de paisagens. Nas frestas das rochas, nas margens dos rios e nos campos rupestres, as condições para as plantas crescerem podem mudar em poucos metros de caminhada. A primavera oferece um ponto de partida para conhecer essa diversidade, com uma particularidade que interfere no planejamento da viagem: cada espécie tem seu período de floração.



Olhar de perto também pode revelar plantas que não existem em nenhum outro lugar. São as chamadas espécies endêmicas, cuja presença ajuda a explicar a relevância da Chapada Diamantina para a botânica. Nos campos rupestres, a combinação de relevo, disponibilidade de água e solos rasos, com poucos nutrientes, favorece uma vegetação adaptada a essas condições. Orquídeas, bromélias e sempre-vivas fazem parte desse conjunto, embora nem todas sejam exclusivas da região. Conhecer seus nomes, suas adaptações e seus períodos de floração acrescenta outra dimensão à caminhada: uma pequena flor entre as pedras pode despertar tanta curiosidade quanto a paisagem que se abre no horizonte.



“Quem vem à Chapada Diamantina costuma organizar a viagem em torno das cachoeiras e das trilhas. Observar a vegetação acrescenta outra possibilidade ao percurso. Vale conversar com os guias sobre o que está florescendo e reservar tempo para essas paradas”, sugere João Jasmin, porta voz do Hotel Canto das Águas.


Em Mucugê, o Parque Municipal, onde está o Projeto Sempre Viva, é uma referência para conhecer a planta que dá nome à iniciativa e o trabalho de conservação. Para quem pretende acompanhar sua floração, porém, o calendário exige atenção. Uma pesquisa realizada na Chapada Diamantina registrou flores entre junho e agosto nas populações estudadas da sempre-viva-de-mucugê e da sempre-viva-de-morro-do-chapéu. A primavera, portanto, não deve ser apresentada como o período de florescimento de todas elas.

As bromélias seguem outros ritmos. Um levantamento com cinco espécies no Parque Municipal de Mucugê observou que a maioria floresceu no fim da estação seca e no começo das chuvas. Uma delas apresentou floração contínua na área pesquisada. Essa alternância também fornece alimento aos animais que visitam as flores, entre eles os beija-flores.

Entre as orquídeas, tampouco há um calendário único. Um estudo com cinco espécies que crescem em afloramentos rochosos da Chapada identificou florações tanto na seca quanto na estação chuvosa, conforme a planta. A Cattleya elongata, por exemplo, floresceu no período de chuvas. Para o visitante, esses resultados ajudam a compreender por que a paisagem muda ao longo do ano e por que a escolha do percurso deve considerar o que pode ser observado em cada época.

O planejamento pode combinar os campos rupestres de Mucugê com caminhadas nos arredores de Lençóis, respeitando as condições de acesso e as orientações dos condutores. Fotografar sem retirar flores ou mudas e permanecer nos caminhos indicados são cuidados para incluir no passeio. Antes de sair, é preciso confirmar a previsão do tempo, a duração do trajeto e a ocorrência de florações com profissionais da região.

No centro histórico de Lençóis, às margens do rio que atravessa a cidade, o Hotel Canto das Águas funciona como base para esses deslocamentos. O concierge Dida Murta orienta os hóspedes na escolha das atividades e indica guias e agências, considerando os interesses de cada viajante e os dias disponíveis.

“A orientação começa por entender o que a pessoa deseja conhecer e quanto tempo tem. Para quem se interessa pelas flores, esse planejamento precisa considerar a época do ano, a região da Chapada Diamantina e a especialidade de quem acompanha os caminhos, guias biólogos são fundamentais para aprofundar essa experiência”,

Na volta, a programação pode continuar pelo centro histórico, pelos ateliês e pela gastronomia de Lençóis. O restaurante Cozinha Aberta, comandado pela chef Deborah Doitschinoff é uma pedra preciosa da gastronomia da cidade de Lençóis, com uma cozinha contemporânea que valoriza os sabores regionais com um toque italiano e asiático. No Hotel Canto das Águas, o Restaurante Azul tem varanda voltada para o Rio Lençóis e trabalha com ingredientes de cooperativas locais e de agricultura familiar, em um cardápio que reúne influências da cozinha baiana, africana e nordestina.

Sobre o Hotel Canto das Águas


O Hotel Canto das Águas, localizado às margens do Rio Lençóis, no centro histórico de Lençóis, na Chapada Diamantina (BA), reúne conforto, gastronomia, arte e sustentabilidade em uma proposta de hospedagem integrada à natureza. A arquitetura valoriza a paisagem natural, enquanto iniciativas ambientais, como a produção fotovoltaica de 100% da energia utilizada pelo hotel, aquecimento solar e redução de resíduos, fazem parte da operação. O hotel também oferece experiências como a Merenda de Trilha e funciona como ponto de partida para explorar cachoeiras, grutas e outros atrativos da Chapada Diamantina.